A indústria elétrica enfrenta um dilema constante: como validar equipamentos quando os testes de laboratório não replicam a realidade. Dois casos recentes mostram que a simulação computacional pode preencher essa lacuna. O primeiro envolve ferragens para linhas de 500 kV ou superiores, onde os testes de corona em configurações monofásicas não conseguem prever o comportamento trifásico. O segundo aborda os campos eletromagnéticos em cabos HVDC submarinos, essenciais para parques eólicos marinhos.
O salto de fase única para trifásica em linhas de transmissão ⚡
Em laboratórios de alta tensão, o espaço limita os testes a uma única fase. Isso gera incerteza sobre o desempenho real de ferragens em condições trifásicas, onde os campos elétricos interagem de forma diferente. A simulação numérica resolve este problema modelando geometrias completas e condições de operação. Traduz os dados de testes monofásicos para um desempenho trifásico preciso, considerando fatores como o efeito de fases adjacentes e o gradiente de potencial na superfície. O resultado é uma validação mais próxima da operação real, sem necessidade de ampliar as instalações de teste.
O cabo submarino que não se deixa medir (e a simulação ao resgate) 🌊
Medir campos eletromagnéticos em um cabo HVDC a 100 metros abaixo do mar é como procurar um cabo perdido na escuridão: possível, mas incômodo e caro. Os sensores oxidam, as correntes marinhas movem os equipamentos e os peixes se tornam testemunhas não colaboradoras. Por isso, a simulação se tornou a alternativa preferida. Calcula a distribuição dos campos com precisão, sem se molhar nem ter que subornar um polvo para segurar o medidor. No final, o software faz o trabalho que antes exigia um mergulhador e muita paciência.