A decisão de reduzir a dependência da energia nuclear trouxe uma consequência contraintuitiva: é preciso investir mais dinheiro em sistemas de backup elétrico. Enquanto reatores estáveis são desligados, multiplicam-se usinas a gás, baterias e ciclos combinados para cobrir as lacunas das renováveis. O resultado é uma rede mais complexa e cara, onde o que se economiza em urânio é gasto em infraestrutura de emergência.
O custo oculto da intermitência na rede elétrica ⚡
Cada megawatt de solar ou eólica precisa entre 0,8 e 1,2 MW de backup firme para garantir o fornecimento. Isso implica instalar turbinas a gás que operam poucas horas por ano, sistemas de armazenamento com baterias de lítio de vida limitada e contratos de interrompibilidade para grandes consumidores. O custo de capital desse parque de segurança supera em muitos casos a economia por não comprar combustível nuclear. Além disso, a vida útil desses sistemas raramente ultrapassa os 15 anos, contra os 40 ou 60 de um reator.
Desligar a nuclear: a forma mais cara de precisar de mais usinas 💸
Acontece que fechar uma usina nuclear é como vender seu carro confiável para andar de bicicleta, mas ter que pagar um Uber toda vez que chove. Agora temos que manter usinas a gás ligadas por precaução, baterias que duram o que um iogurte vencido e um gestor de rede que não dorme. O melhor de tudo é que pagamos duas vezes: pela eletricidade renovável e pelo seguro que a faz funcionar. Ironias de querer ser mais verdes sem contar até o final.