Uma equipe de pesquisadores liderada por Yuuki Kawabata resolveu um mistério evolutivo: a forma de andar lateral dos caranguejos surgiu uma única vez em um ancestral comum. Analisando o movimento de 50 espécies e mapeando-o em uma árvore genética, descobriram que todos os caranguejos que se deslocam de lado descendem de um grupo ancestral que deu origem a Eubrachyura, a linhagem mais bem-sucedida com quase 7.500 espécies atuais.
Inovação locomotora como vantagem evolutiva chave 🦀
O estudo, publicado na eLife, sugere que essa mudança na locomoção foi uma inovação chave para o sucesso do grupo. Enquanto os caranguejos que se movem para frente e para trás somam apenas 156 espécies, os laterais dominam com milhares. Os pesquisadores acreditam que andar de lado permitiu a esses crustáceos escapar rapidamente de predadores e colonizar habitats diversos como recifes, manguezais e fundos marinhos. A análise filogenética baseada em DNA reforça a hipótese de uma origem monofilética para essa característica.
Os caranguejos retos: a minoria que não ficou sabendo da mudança 🧭
Enquanto os caranguejos laterais celebraram sua inovação evolutiva com 7.500 festas diferentes, os 156 que ainda andam em linha reta devem se sentir como aqueles colegas que insistem em usar mapa de papel quando todos têm GPS. Talvez o problema deles não seja a falta de direção, mas sim que não receberam o memorando de 200 milhões de anos atrás. Pelo menos, quando se deparam com um predador, podem se gabar de serem os únicos crustáceos que andam como Deus manda.