Moscou estabeleceu 1º de julho de 2026 como prazo para que proprietários de terras em zonas ocupadas da Ucrânia reivindiquem seus bens. O requisito é comparecer pessoalmente com um passaporte russo, algo impossível para milhões de deslocados que fugiram da guerra. Desde 2014, as autoridades ocupantes confiscam propriedades de forma sistemática, e em 2024 foi aprovada uma lei federal que considera abandonada qualquer moradia vazia por mais de um ano sem serviços pagos nem registro russo.
O sistema de controle de propriedades: tecnologia a serviço da ocupação 🏠
A medida se apoia em um sistema digital de registro unificado russo que cruza dados de pagamentos de serviços públicos, censos populacionais e movimentos migratórios. Os algoritmos detectam propriedades sem atividade por mais de 12 meses e as marcam como abandonadas. Se o dono não tiver um perfil no sistema de identificação russo (Gosuslugi), a moradia passa para um fundo estatal. A tecnologia permite rastrear também se o proprietário reside em território controlado pela Ucrânia, bloqueando qualquer reivindicação remota.
O trâmite expresso: perca sua casa e ainda pague a passagem de volta 🎭
Lyudmila, que escapou de Zaporíjia, espera que sua cidade seja libertada para não ter que re-registrar seu apartamento com os ocupantes. Mas o Kremlin simplificou o processo: se você não voltar antes de 2026, sua casa passa a ser de ninguém e depois da Rússia. O mais irônico é que para reivindicá-la você teria que viajar para território ocupado, agendar um horário em um escritório russo e provar que não morreu na tentativa. Vamos, um plano de férias low cost com perda total de patrimônio incluída.