Quando falamos das origens da escrita, sempre vêm à tona Egito e Mesopotâmia. Mas houve um terceiro sistema, o proto-elamita, originário do atual Irã. Descoberto há 125 anos, viveu no esquecimento acadêmico. Novas análises indicam que, há 5000 anos, pode ter sido o mais avançado dos três em representar a linguagem falada. Suas tabuletas de argila, encontradas em Susa, aguardam para ser decifradas.
Inovação em argila: chaves técnicas do sistema proto-elamita 🏺
As tabuletas proto-elamitas, datadas de cerca de 5200 anos atrás, eram inscritas em argila úmida, uma técnica similar ao proto-cuneiforme mesopotâmico. De fato, compartilham signos, como o da ovelha, o que sugere uma inspiração direta. No entanto, o sistema iraniano desenvolveu uma complexidade própria, com uma capacidade de registrar informações econômicas que pode ter superado seus contemporâneos. Sua análise detalhada está revelando uma lógica interna sofisticada, embora ainda não possamos lê-la.
5300 anos e ninguém sabe o que está escrito na fatura 🐑
Imagine ter o recibo de compra mais antigo do mundo e não poder lê-lo. Isso é o proto-elamita: um sistema de registro contábil de cinco milênios que os especialistas observam como quem vê uma fatura de um banco desconhecido. Enquanto os egípcios escreviam sobre deuses e os mesopotâmicos sobre reis, esses caras só queriam controlar a contagem das ovelhas. E conseguiram tão bem que ainda não sabemos quantas deviam.