A adaptação do romance de William Golding, que explora o lado mais sombrio de um grupo de crianças perdidas em uma ilha, chegou à Netflix em 4 de maio com grandes expectativas. Apesar da boa recepção crítica e do aval do mestre do terror, a série de sobrevivência psicológica mal alcançou o quarto lugar nos EUA e saiu do Top 10 em onze dias.
Uma ilha digital com efeitos práticos e narrativa contida 🎬
A produção de Jack Thorne optou por uma abordagem técnica sóbria: filmagem em locações reais com iluminação natural e uso escasso de CGI, priorizando atuações infantis sobre efeitos visuais. A fotografia granulada e o design de som ambiental buscam transmitir claustrofobia sem artifícios. No entanto, o algoritmo da Netflix penaliza séries sem cliffhangers potentes ou ritmo acelerado, fatores que aqui são sacrificados pela fidelidade ao material original. O resultado é uma peça sólida, mas pouco viralizável.
As crianças se comportaram bem, o algoritmo nem tanto 🤖
É curioso que uma série sobre crianças se organizando em sociedade acabe sendo devorada pela lógica de um sistema que premia o barulho em vez da análise. Enquanto os pequenos ilhéus discutiam quem era o chefe, a Netflix decidiu que o verdadeiro líder era o próximo conteúdo no feed. Pelo menos Golding pode ficar tranquilo: sua fábula sobre a barbárie humana encontrou um novo lar: a fria indiferença de uma plataforma de streaming.