A indústria editorial tradicional descobriu uma veia fácil: recrutar autores de fanfiction com milhões de seguidores para vender livros sem arriscar. Mas essa fórmula, baseada em audiências pré-cozidas e não em talento ou diversidade, ameaça saltar para os quadrinhos. Se ocorrer, veremos vinhetas desenhadas por algoritmos e roteiros escritos para não ofender ninguém, perpetuando um círculo de mediocridade comercial.
O algoritmo como editor: quando os números decidem o traço 📊
As grandes editoras aplicam análise de dados para contratar autores com métricas altas em redes e plataformas de fanfiction, ignorando a qualidade narrativa ou o desenho. Nos quadrinhos, isso implicaria priorizar séries derivadas de franquias populares em detrimento de obras originais. A tecnologia permite rastrear tendências e replicar fórmulas, mas o resultado são histórias homogêneas que excluem vozes não validadas pelo mercado. A arte sequencial perderia sua essência experimental.
A receita infalível: fanfics de Harry Potter com capa de super-herói 🦸
Imaginemos um quadrinho do Homem-Aranha escrito pelo autor de um fanfic de Draco Malfoy e Hermione. A editora o venderia como o evento do ano, com 200.000 pedidos antecipados de seguidores que jamais leram um quadrinho. O roteiro incluiria um romance impossível, um vilão que na verdade é um mal-entendido, e uma participação especial do Deadpool explicando o lore. Tudo muito rentável, tudo muito esquecível.