Lewis Trondheim volta a surpreender com Aurora and the Orc, uma graphic novel onde uma menina precisa lidar com um colega de classe de pele verde, porrete em punho e paixão por massacrar elfos. O mais perturbador não é o orc, mas que ninguém mais na escola parece notar o problema. Aurora assume o papel de acompanhante dessa criatura desmedida, tentando ensinar-lhe modos humanos enquanto controla seus impulsos homicidas.
O motor narrativo: um orc em um mundo de humanos 🎭
Trondheim constrói a trama sobre um contraste simples, mas eficaz: a normalização do absurdo. O orc não é um monstro genérico, mas um ser com regras próprias que colidem com o ambiente escolar. Aurora atua como interface entre dois sistemas: as normas sociais humanas e os instintos básicos do orc. O conflito nasce dessa tradução constante, onde cada interação é um remendo improvisado para evitar desastres. O desenho, com traços ágeis e expressivos, reforça a sensação de um mundo ligeiramente descentrado.
Manual de convivência para orcs (e outros bichos estranhos) 📖
Se alguma vez você já teve que explicar a um amigo que ele não deve usar um machado na aula, entenderá a Aurora. A novela é um manual não escrito de tolerância, mas com mais violência do que o habitual. O orc não entende por que não pode matar elfos, e os humanos não entendem por que ele iria querer fazer isso. No final, todos aprendem algo: Aurora, que controlar um orc é como tentar ensinar um gato a usar o vaso sanitário. Pode até funcionar, mas você sempre acabará com arranhões.