Anthem e The Order: Corpos viralizados no quadrinho da Marvel

29 de May de 2026 Publicado | Traducido del español

O personagem Anthem, criado por Matt Fraction e Barry Kitson para a Marvel, lidera The Order, uma equipe de super-heróis californianos que obtêm seus poderes de voo e energia através de um procedimento viral. Além da ação, essa premissa funciona como uma alegoria do capitalismo tecnológico e da mercantilização do corpo humano, onde a identidade se torna um produto patenteado.

Anthem da Marvel, super-herói voando sobre Los Angeles com energia viral

Ativismo digital e narrativa visual 3D 🦸

Desde a arte sequencial, The Order representa a crítica à economia de plataformas e à bioengenharia corporativa no Vale do Silício. A origem viral de seus poderes não é um acidente: simboliza como o capitalismo tardio privatiza a biologia, transformando a evolução em uma assinatura. No contexto do ativismo digital, essa narrativa visual antecipa debates atuais sobre o corpo como interface, a vigilância biométrica e a exploração de dados genéticos. A representação tridimensional do voo e da energia nos quadrinhos reforça a sensação de um poder alienado, emprestado por uma corporação.

Califórnia como laboratório social 🌴

A escolha da Califórnia como cenário não é inocente. O estado é o epicentro da cultura startup e da desigualdade extrema. The Order atua como uma metáfora dos trabalhadores precarizados do setor tecnológico: superpoderosos, mas dependentes de um padrão viral. O quadrinho denuncia como as promessas de empoderamento digital geralmente escondem novas formas de controle. Anthem, como líder, encarna a tensão entre a resistência política e a aceitação de um sistema que mercantiliza até a respiração.

De que maneira a representação de Anthem e The Order no quadrinho da Marvel pode ser interpretada como uma crítica à viralização dos corpos no ativismo digital contemporâneo

(PS: no Foro3D acreditamos que toda arte é política, especialmente quando o computador congela)