Um estudo publicado na revista Neuron indica que uma mutação genética presente em animais adaptados à altitude, como os iaques, poderia abrir uma via para tratar doenças desmielinizantes como a esclerose múltipla. Essa variante no gene Retsat protege o cérebro em condições de baixo oxigênio e favorece a produção de mielina, a camada isolante das neuronas que se degrada nessas patologias.
O mecanismo molecular: da vitamina A à reparação neuronal 🧬
Pesquisadores da Universidade Jiao Tong de Xangai detalham que o Retsat atua sobre uma molécula derivada da vitamina A (ATDR), transformando-a em outra chamada ATDRA. Esse composto final atua como um gatilho para a maturação dos oligodendrócitos, as células responsáveis por gerar mielina. Em modelos com ratos, a mutação ou a administração direta de ATDR/ATDRA melhorou a mielinização e reduziu o dano cerebral por hipóxia, mostrando efeitos positivos em condições semelhantes à EM.
Os iaques, próximos gurus da neurociência 🐂
Quem diria que a chave para um cérebro mais resistente não estaria em um laboratório ultramoderno, mas pastando nas encostas do Himalaia. Resulta que, enquanto nós ficamos tontos em um porto de montanha, o iaque tem incorporado de fábrica um sistema de neuroproteção de luxo. Agora é hora de decifrar se o que funciona em um roedor com genes de iaque e em um belo ruminante pode ser traduzido para nossa espécie. Pelo menos, é um caminho de pesquisa com mais base que alguns superalimentos da moda.