Juan Carlos Romeo está há quatro décadas consertando calçados e bolsas no bairro de Delicias com uma abordagem artesanal. Sua oficina é um exemplo de ofício em perigo de extinção. O próprio Romeo calcula que em dois anos a maioria desses estabelecimentos terá fechado. Para os vizinhos, isso implica perder um serviço econômico e sustentável que prolonga a vida de produtos cotidianos, afetando o bolso e o consumo responsável.
A tecnologia do remendo: como uma máquina de costura salva mais recursos que um algoritmo 🛠️
Diante da obsolescência programada, o trabalho de Romeo utiliza ferramentas básicas como formas, linhas enceradas e máquinas de costura industriais. Cada reparo evita a compra de um produto novo, reduzindo resíduos e consumo de matérias-primas. Enquanto a indústria impulsiona ciclos de substituição rápida, o remendão prolonga a vida do calçado entre três e cinco anos com técnicas manuais. Esse processo artesanal compete com a lógica do mercado, onde consertar sai mais barato do que comprar novo.
Adeus ao sapateiro: agora é comprar sapatos de usar e jogar fora 👟
Quando o último remendão desaparecer, a solução será comprar calçado novo a cada dois meses. Como o plástico e a borracha barata não se consertam, teremos que felicitar a indústria por nos vender mais rápido. E se a sola descolar, talvez um youtuber nos ensine a colá-la com supercola enquanto o sapateiro fecha a oficina. Progresso, chamam isso.