Há meio século, os Rolling Stones aterrissaram em uma Espanha que cheirava a mudança política. Seu primeiro show no país foi na Praça de Touros Monumental de Barcelona, um palco tão taurino quanto rockeiro. Os ingressos custavam 900 pesetas, uma quantia que hoje mal dá para um café com leite. O show, em plena turnê caótica, incluiu um ritual sexual sobre o palco e bombas de fumaça nas arquibancadas, marcando um antes e um depois na moral do regime.
A logística do caos: som analógico e fumaça tática 🎸
Do ponto de vista técnico, montar um show dos Stones em 1973 era um desafio de engenharia. O sistema de som usava amplificadores valvulados e alto-falantes de bobina móvel, sem a precisão digital atual. A gestão das bombas de fumaça, lançadas das arquibancadas, exigia coordenação manual com pirotecnia de baixa confiabilidade. A iluminação baseava-se em refletores de carbono, que geravam calor intenso e sombras duras. A segurança, quase inexistente, dependia da vontade dos presentes e de alguns poucos seguranças.
900 contos para ver Mick Jagger suar a Transição 💥
O mais curioso é que, por 900 pesetas, o público não só obteve rock and roll, mas também um curso intensivo de educação sexual no palco. Enquanto os políticos negociavam nas sombras, Jagger se encarregava de mostrar aos espanhóis que o corpo também podia votar. As bombas de fumaça, em vez de provocar uma debandada, criaram um ambiente de discoteca de garagem. No final, todos saíram com os ouvidos zumbindo, a roupa fedendo a pólvora e a sensação de que algo estava mudando para sempre.