O Reino Unido planeja 21.000 moradias em Crews Hill, uma área verde ao norte de Londres. Metade seriam acessíveis. Moradores e empresários se opõem: perderão negócios e espaços naturais. O governo alega a crise habitacional. Ambos têm razão, mas o debate é uma miragem. O planejamento urbano não deveria ser um jogo de soma zero entre moradia e natureza.
O mito da cidade jardim: entre o concreto e a grama 🌿
O conceito de cidade jardim nasceu como um ideal de equilíbrio, não como uma desculpa para urbanizar. O que o governo britânico propõe não é um jardim: é uma urbanização com grama. Construir moradia e parque é possível, mas é mais caro, mais lento e menos rentável para os incorporadores. O problema não é a necessidade de casas, mas um modelo onde a especulação dita o design. As árvores não financiam campanhas; os tijolos também não votam.
O arquiteto do dinheiro sempre encontra um lápis ✏️
Os moradores não odeiam os jovens que precisam de um apartamento. Odeiam que lhes vendam uma cidade jardim e entreguem um loteamento com jardineiras de plástico. O embate não é entre ecologia e necessidade: é entre senso comum e um incorporador que já chamou seu arquiteto favorito. Porque o dinheiro, no final, sempre encontra alguém que desenhe uma planta bonita para ele. E a grama sintética, aliás, já está em promoção.