A indústria dos videogames acumula décadas de história, mas grande parte desse patrimônio é inacessível. Enquanto as empresas defendem com unhas e dentes seus direitos autorais, deixam que títulos emblemáticos se percam por falta de suporte técnico ou licenças vencidas. Não é um acidente: é uma decisão comercial que prioriza o catálogo novo sobre a conservação cultural. O paradoxo é evidente: protegem a propriedade intelectual que eles mesmos abandonam.
Depósitos digitais públicos: o remendo que a indústria não quer aplicar 🎮
A solução técnica existe: repositórios centralizados com emulação verificada, mantidos por entidades públicas e financiados por meio de um imposto específico sobre as vendas da indústria. O modelo se assemelha ao da Biblioteca do Congresso dos EUA com seu programa de preservação de software, mas em escala global. As editoras contribuiriam com uma fração de suas receitas anuais em troca de que seus títulos antigos sejam preservados sem a necessidade de recorrer a cópias não autorizadas. Não se trata de dar jogos de graça, mas de evitar sua extinção digital.
Senhores executivos, seu legado se apaga sozinho 💾
É curioso ver uma editora chorar por pirataria enquanto ela mesma enterra seus próprios jogos em um disco rígido esquecido. Defendem a propriedade intelectual como um tesouro, mas a deixam apodrecer em servidores que desligam sem aviso prévio. Se tanto se preocupam com seu legado, talvez devessem abrir o cofre em vez de esperar que os fãs façam o trabalho sujo com patches não oficiais. Ou talvez prefiram que o esquecimento não tenha direitos autorais.