A série do Hulu, baseada em um livro de 320 páginas, se esticou por seis temporadas. Embora tenha sido um sucesso de crítica, as últimas entregas obtiveram pontuações baixas e dividiram o público. Isso demonstra que estender uma adaptação além de sua fonte original não garante qualidade, mas muitas vezes dilui o impacto inicial.
O algoritmo do esticamento: como a plataforma prioriza o conteúdo sobre a narrativa 📉
De uma perspectiva técnica, o Hulu aplicou uma estratégia de expansão de dados de roteiro. Cada temporada adicionou subtramas e personagens que não estavam no material original, aumentando a metragem em 400% em relação ao livro. Isso responde à lógica de retenção de usuários: mais episódios significam mais horas de visualização e mais dados de comportamento para o algoritmo de recomendação. O resultado foi uma curva de engajamento decrescente, com um pico na temporada 1 e uma queda de 40% na audiência para a temporada 5.
Spoiler: Gilead não tem wifi, mas tem seis temporadas de recheio ☕
Se o livro fosse uma xícara de café, a série seria um balde de água com borra. Os roteiristas tiveram que inventar dramas de novela para justificar o salário dos atores: sequestros, gravidezes e rebeliões que no texto original se resolviam em três parágrafos. No final, a série se tornou um manual de como não adaptar uma obra: se o livro é lido em um fim de semana, assistir à série leva um mês da sua vida. Ainda bem que Gilead não tem Netflix, porque lá sim teriam esticado o conto até o ano 3000.