
A nova lei de aval para alugar gera incerteza por falta de procedimentos claros
A nova regulamentação sobre o aval para alugar imóveis pretende proteger, mas sua redação abre um cenário de incerteza jurídica. A norma exige condições específicas para ativar a cobertura do seguro, mas não estabelece como comprová-las de maneira eficaz, delegando essa tarefa crítica às administrações regionais. 🏛️
Um requisito com um procedimento indefinido
Para que o seguro de aval cubra o proprietário, o inquilino deve ter menos de 35 anos ou se encontrar em uma situação de vulnerabilidade. O problema central é que a lei não especifica um método claro, único e automático para que o inquilino demonstre que cumpre este último requisito. Esse vazio obriga que cada comunidade autônoma desenvolva seu próprio sistema, muitos dos quais ainda não funcionam ou nem mesmo existem.
Consequências imediatas do vazio legal:- A lei tem caráter retroativo desde 1º de janeiro, mas a falta de protocolos a torna inaplicável na prática para muitos casos.
- O risco econômico é transferido ao proprietário, que depende de que o inquilino gerencie um trâmite que pode ser inexistente.
- Os inquilinos que buscam essa proteção podem se ver impossibilitados de acessá-la pela burocracia não definida.
Parece que a lei espera que o inquilino tire da cartola um certificado que nenhuma administração terminou de projetar.
Incerteza para proprietários e inquilinos
Na realidade, para contratos anteriores à lei ou posteriores a janeiro de 2025, a seguradora pode se recusar a pagar se não for apresentada uma comprovação válida. Isso cria uma paradoxo: a carga de provar a condição recai sobre o proprietário, que não pode demonstrar algo que legalmente deve gerenciar o inquilino. Além disso, o inquilino poderia se recusar a fornecer dados, amparando-se na lei de proteção de dados, o que bloqueia o processo por completo.
Problemas práticos que surgem:- O proprietário enfrenta a incerteza de depender de trâmites administrativos que podem não estar definidos.
- A ausência de um mecanismo uniforme gera insegurança jurídica para ambas as partes do contrato de aluguel.
- Enquanto as autonomias não ativarem seus protocolos, a garantia prometida pela lei fica em suspenso.
Um final incerto e custoso
O cenário pode derivar em que sejam os tribunais quem, caso por caso, devam declarar a condição de vulnerabilidade de um inquilino. Isso supõe um colapso para a justiça e um custo em tempo e dinheiro para os envolvidos. Além disso, se um juiz finalmente declarar uma pessoa como vulnerável, o Estado se veria na posição de ter que aprovar auxílios que previamente pôde negar, em uma espécie de reconhecimento a posteriori. Em definitivo, a norma, tal como está, cria mais problemas do que resolve, deixando no ar aqueles que deveria proteger. ⚖️