Rewilding: justiça e equidade para não fracassar na tentativa

25 de April de 2026 Publicado | Traduzido do espanhol

Jaboury Ghazoul, professor de Gestão de Ecossistemas na ETH Zurique, defende que a justiça e a equidade são pilares para que os projetos de rewilding tenham sucesso. Esses processos restauram terras a estados naturais, mas muitas vezes são impostos sem consultar as comunidades locais, gerando conflitos. Ghazoul destaca que a justiça distributiva é um problema chave: o ecoturismo se beneficia de espécies reintroduzidas, enquanto os agricultores sofrem perdas de gado e inundações.

Uma paisagem dividida: à esquerda, bosque frondoso com lobos e turistas; à direita, campos secos com pecuarista triste e vacas magras.

Tecnologia para medir o impacto e compensar perdas 🌿

A solução tecnológica não é mágica, mas ajuda. Sistemas de monitoramento com drones e sensores permitem rastrear o movimento de águias e castores em tempo real. Esses dados são integrados em plataformas GIS para mapear zonas de risco para a agricultura. Assim, podem ser calculadas compensações baseadas em perdas reais de culturas ou gado, não em estimativas vagas. Ghazoul critica que a compensação atual é insuficiente, ignorando custos emocionais e a perda de valor futuro da terra. Ferramentas de blockchain poderiam garantir pagamentos automáticos e transparentes aos afetados.

Ecoturistas felizes, agricultores afogados (literalmente) 💧

Enquanto os turistas pagam para ver um castor construindo sua represa, o agricultor ao lado vê seu campo inundado. O rewilding é ótimo para selfies com águias, mas nem tanto para quem perde uma ovelha. Ghazoul sugere que a compensação deveria cobrir até o trauma de ver sua terra transformada em parque temático. Talvez o próximo passo seja instalar barreiras de pagamento: se você quer natureza selvagem, pague a conta das inundações. Ou melhor, dê um passe VIP ao agricultor para que ele veja o espetáculo do telhado.