Chernobil 40 anos: sigilo e falhas de um regime opaco

27 de April de 2026 Publicado | Traducido del español

Quatro décadas após o desastre de Chernobyl, a historiadora Galia Ackerman analisa no Le Monde como o secretismo e a incompetência do regime soviético agravaram a catástrofe. Todas as informações sobre a usina nuclear eram classificadas como alto segredo, o que impediu qualquer preparação ou transparência. Esse legado de opacidade continua sendo uma lição sobre os riscos de ocultar dados críticos.

DESCRIÇÃO: Ruínas da usina de Chernobyl sob um céu cinzento, com o novo sarcófago de aço, símbolo do secretismo soviético.

O projeto técnico que falhou por falta de transparência 🛠️

O reator RBMK-1000 de Chernobyl apresentava falhas de projeto conhecidas, como um coeficiente de vazio positivo que aumentava a potência em caso de superaquecimento. A falta de um sistema de contenção robusto e a operação da usina sem protocolos claros foram fatores determinantes. O secretismo impediu que engenheiros e operadores compartilhassem dados cruciais, deixando a planta vulnerável a erros humanos e técnicos que hoje são estudados em manuais de segurança.

O manual soviético de como não gerenciar uma usina 📖

Se existisse um manual intitulado Como transformar um reator em uma bomba de vapor, os soviéticos o teriam seguido à risca. Com o secretismo, a informação era tão exclusiva que nem os próprios operadores sabiam quais botões não deveriam tocar. No final, a lição foi clara: se você esconde os dados, o desastre não se esconde. E ainda por cima, fica sem eletricidade para o café.