Adeus a Aristarain: o cineasta que uniu Argentina e Espanha

27 de April de 2026 Publicado | Traducido del español

O cineasta argentino Adolfo Aristarain faleceu no domingo em Buenos Aires aos 82 anos, segundo informou a Academia das Artes e das Ciências Cinematográficas da Espanha. Nascido em 1943 em Parque Chas, viveu sete anos na Espanha e lá dirigiu obras-chave como Un lugar en el mundo e Martín (Hache). Seu legado cruza o Atlântico com olhar lúcido e ofício firme.

Retrato de Adolfo Aristarain, com um mapa da Argentina e Espanha ao fundo, e fragmentos de filmes como 'Un lugar en el mundo'.

A câmera como ferramenta: o ofício por trás do enquadramento 🎥

Aristarain manuseava a narrativa visual com precisão de relojoeiro. Em Un lugar en el mundo, usou planos-sequência para capturar a aspereza patagônica sem artifícios. Seu domínio da montagem e da iluminação natural permitia que os atores respirassem dentro do quadro. Rejeitava os efeitos digitais supérfluos; preferia o som direto e a textura do celuloide. Seu método artesanal deixou uma lição técnica: a emoção não precisa de filtros.

O diretor que odiava o cinema 3D (e tinha razão) 🎬

Aristarain dizia que o cinema 3D era uma invenção para vender pipocas caras. Preferia o preto e branco de seus primeiros curtas e o barulho da sala de montagem. Enquanto outros sonhavam com IMAX, ele discutia o tamanho de uma xícara de café no plano. Se voltasse hoje, provavelmente riria dos streamings que recomendam filmes de acordo com seu estado de espírito. Um clássico.