Das profundezas do Teide e da tradição oral guanche emerge o Tibicena, uma criatura de pesadelo descrita como um cão negro colossal com olhos de carvão ardente. Filho do demônio Guayota, sua lenda fala de um ser que surgia das fendas da terra para semear o caos. Neste projeto de visualização científica, nos propusemos dar forma volumétrica a este mito, traduzindo as descrições etnográficas em um modelo 3D fotorrealista que permita estudar e preservar esta figura chave do patrimônio cultural imaterial canário.
Processo técnico: Do relato oral ao modelo fotorrealista 🔬
O processo começou com uma pesquisa etnográfica para consolidar as descrições dispersas. O modelado se focou em criar uma anatomia canina exagerada e distorcida, com uma musculatura poderosa e uma mandíbula desproporcional, sugestiva de seu papel devorador. O texturizado foi crucial: foram utilizadas camadas de materiais complexos para lograr um pelo negro não uniforme, com reflexos azulados e rojizos que sugerissem uma procedência vulcânica. A iluminação foi projetada para destacar seus olhos, criados com emissores internos que simulam brasas, e para projetar sombras alongadas e dramáticas, enfatizando sua natureza ominosa e seu vínculo com as trevas do submundo.
A visualização 3D como ponte cultural 🌉
Além do exercício técnico, este modelo serve como uma potente ferramenta de divulgação. A visualização 3D permite materializar conceitos abstratos de uma cultura desaparecida, oferecendo uma interpretação tangível de seu imaginário. Ao recriar o Tibicena, não só ilustramos um monstro, mas compreendemos melhor os medos, a cosmovisão e a relação dos antigos habitantes com uma paisagem hostil e sagrada como o Teide, onde o mitológico e o geológico se fundem em uma mesma narrativa de respeito e terror.
Você usaria fotogrametria de espécimes reais ou modelado baseado em estudos?