Quando a agência Something Familiar assumiu o redesenho da identidade de Onvero, uma organização sem fins lucrativos, enfrentou um desafio transformador: sua CEO, Sandi Wassmer, é cega. Esse fato obrigou a equipe liderada por Kane Hawkins a descartar os métodos convencionais. A missão já não era apenas criar um logotipo visualmente atraente, mas construir um sistema de identidade acessível desde seu núcleo. A experiência, humilde e colaborativa, demonstrou o quão excludente pode ser uma comunicação baseada unicamente no visual e mudou para sempre a metodologia da agência.
Ferramentas 3D e digitais adaptadas para a inclusão sensorial 👁️🗨️
O processo técnico exigiu inovar com as ferramentas disponíveis. As apresentações visuais foram substituídas por descrições narrativas detalhadas. Para discutir paletas de cores, criou-se uma linguagem compartilhada baseada em sensações e contextos, não em códigos HEX. A fase conceitual utilizou locuções e descrições de áudio. O resultado tangível foi uma identidade tátil, onde o modelado 3D foi crucial para projetar texturas em relevo e volumes no material de papelaria física, permitindo que Wassmer percebesse a identidade de sua organização. Este caso prova que o design 3D e digital não é apenas para o visual; seu potencial para gerar texturas e protótipos táteis é uma ferramenta poderosa para a inclusão.
A verdadeira acessibilidade nasce da metodologia, não do acréscimo final 🤝
A lição fundamental vai além das ferramentas. A acessibilidade não pode ser uma camada de tinta aplicada no final do projeto. Este caso exige integrar a diversidade sensorial na própria metodologia: ouvir ativamente, iterar com base em feedback não visual e co-criar com o usuário final. Proteger coletivos vulneráveis, como as pessoas com deficiência visual, requer essa mudança de mentalidade. O design para todos deixa de ser um slogan e se torna um processo rigoroso e empático que, em última análise, enriquece o resultado para toda a audiência.
Como o design gráfico, tradicionalmente um campo visual por excelência, pode integrar princípios de acessibilidade para a cegueira sem sacrificar seu impacto estético e comunicativo?
(PD: no Foro3D protegemos os coletivos vulneráveis... e os arquivos não salvos) 💾