O recente Prêmio Loewe de Poesia destacou dois conceitos poderosos: a criação como resistência, segundo a mexicana Leonor Pataki, e a celebração do gratuito e inútil em tempos sombrios, segundo o argentino Hugo Mujica. Essas ideias não são estranhas à arte digital. Em nosso nicho, a tecnologia 3D e as ferramentas digitais se convertem no verso e na tela contemporâneos para exercer essa mesma resistência e buscar beleza frente à adversidade. A poesia já não habita apenas no papel.
Ferramentas Técnicas para uma Nova Expressão Poética 🛠️
O modelado 3D, a realidade virtual e a arte generativa oferecem um vocabulário único para esse fim. Um artista pode esculpir digitalmente metáforas sobre a migração, criar ambientes imersivos que reflitam a perda ou usar algoritmos para visualizar dados de conflitos sociais, transformando o abstrato em uma experiência sensorial. Essas ferramentas permitem documentar realidades dolorosas com uma potência visual nova e construir espaços de reflexão pura, esses lugares inúteis mas necessários que celebra a poesia. O ato técnico de criar um modelo, um shader ou uma interação se converte em uma descoberta, unindo o pessoal com o universal.
A Gratuidade Necessária em um Mundo Digital 🎁
Em uma era dominada pela utilidade e pelo desempenho, dedicar horas a modelar um objeto sem função comercial ou a programar uma experiência visual efêmera é um ato radical. É afirmar o valor da contemplação e da emoção pura. Assim como Mujica defende a gratuidade do poema, a arte digital 3D pode perseguir esse mesmo fim: criar sombras, luzes e formas cujo único propósito seja nos comover, recordando-nos que a beleza e a reflexão são formas de resistência em si mesmas.
Como a criação de mundos e narrativas em 3D pode se converter em um ato de resistência política e cultural no contexto digital atual?
(PD: no Foro3D acreditamos que toda arte é política, especialmente quando o computador trava)