O projeto Million Year Ice Core (MYIC) alcançou uma profundidade de 400,68 metros em Dome C North, Antártida. O núcleo extraído contém gelo formado há mais de 13.100 anos, no final da última glaciação. Esse gelo atua como um arquivo natural, preservando bolhas de ar e partículas da atmosfera daquela era. Fornece uma amostra direta para estudar o clima do passado.
A perfuração e a análise das cápsulas do tempo congeladas ⏳
A técnica se baseia em perfurar com uma broca especial que extrai cilindros de gelo de forma intacta. Cada seção é uma cápsula que encapsulou ar e aerossóis ao se compactar a neve. Em laboratório, analisam-se os gases presos, como CO2 e metano, e as impurezas. Esse processo permite reconstruir a composição atmosférica e as temperaturas de períodos remotos sem registros escritos.
Os mamutes já tinham seu próprio podcast atmosférico 🦣
Enquanto os mamutes lanudos pastavam, a atmosfera se dedicava a gravar seu próprio programa, sem necessidade de servidores na nuvem. Cada nevasca era um episódio novo, cheio de poeira e bolhas com os chismes climáticos do momento. Agora os cientistas fazem o trabalho de um arqueólogo de som, decifrando esses antigos sussurros presos no gelo. Uma produção natural que, isso sim, teve uma temporada muito, muito longa.