Um tribunal de Paris rejeitou a demanda de trabalhadores nicaraguenses que sofreram esterilidade e outras doenças após usar o nematicida Nemagón. O produto, com DBCP, foi proibido nos EUA em 1977, mas foi exportado e usado em plantações da América Latina. As vítimas buscam há décadas uma compensação que as empresas não pagaram.
A dupla vara na regulação de agroquímicos ⚖️
O caso evidencia uma prática persistente: a exportação de pesticidas proibidos em seus países de origem. A UE, por exemplo, permite a fabricação e venda externa de substâncias que não autoriza em seu território por sua toxicidade. Isso transfere o risco ambiental e sanitário para regiões com marcos regulatórios mais frouxos, perpetuando um ciclo de exposição a químicos ligados a problemas de saúde graves.
Europa: proibido em casa, negócio no exterior 🌍
A Comissão Europeia prometeu em 2020 parar de exportar pesticidas perigosos que ela mesma proíbe. No entanto, os envios continuam. Parece que o princípio de liderar com o exemplo se aplica de forma seletiva: o exemplo é proibir o veneno para os próprios cidadãos, mas mantê-lo como um produto de exportação rentável para os demais. Uma política de longe dos olhos, longe da lei.