O artista Oriol Vilanova representará a Espanha na próxima Bienal de Veneza com Os restos, um projeto comissariado por Carles Guerra. Transformará o pavilhão em um pseudomuseu a partir de milhares de postais colecionadas durante vinte anos. A instalação mural questiona os modos tradicionais de exibição e legitimação da arte, usando esses objetos cotidianos como vestígios de memória pessoal e coletiva.
A tecnologia da acumulação: arquivo físico vs. base de dados digital 📚
O projeto opera com uma lógica oposta à imaterialidade do arquivo digital. A tecnologia central é o ato físico de acumulação e classificação manual durante décadas. A instalação, um mural sem hierarquias aparentes, requer uma planejamento espacial meticuloso para distribuir milhares de postais únicas. Esse sistema de organização desafia a indexação algorítmica, propondo uma navegação visual e tátil pela história.
O primeiro "spam" físico? A coleção infinita de lembranças alheias 🤔
Um se pergunta se, depois de duas décadas rebuscando em feiras de pulgas, Vilanova alcançou o nível de colecionador avançado: aquele que já tem postais de lugares onde nunca esteve e de pessoas que não conhece. Seu pavilhão será provavelmente o único lugar de Veneza onde você se sentirá sobrecarregado por lembranças que não são suas, um sentimento familiar para qualquer um que tenha aberto uma caixa de coisas velhas na casa de seus pais.