Na história do Projeto Manhattan, um nome se destaca por sua decisão de abandoná-lo. Joseph Rotblat, físico polonês-britânico, foi o único cientista que deixou o programa ao entender que a Alemanha nazista já não era uma ameaça nuclear. Sua vida posterior foi dedicada ao ativismo pelo desarmamento e pela paz, esforço reconhecido com o Nobel da Paz em 1995.
Do cálculo da criticidade à diplomacia científica 🕊️
Em Los Alamos, Rotblat trabalhou em problemas de física nuclear aplicada, como o cálculo da massa crítica necessária para uma reação em cadeia. Sua formação lhe permitia compreender o potencial destrutivo do artefato em desenvolvimento. Após sua saída, trocou o laboratório pela diplomacia, fundando as Conferências Pugwash. Esse fórum usou o rigor científico como ferramenta para criar pontes de diálogo entre blocos enfrentados durante a Guerra Fria, tentando conter a proliferação que ele mesmo havia ajudado a tornar possível.
Quando o bug ético é mais crítico que o técnico ⚠️
Imagine o cenário: você está no projeto tecnológico mais secreto, com recursos ilimitados e a elite mundial do seu setor. O deadline é a guerra e o release é a bomba. De repente, você percebe que o cliente principal (a Alemanha nazista) cancelou o pedido. A maioria continua programando. Rotblat, por outro lado, fez um ctrl+alt+del em sua participação. Optou por reportar um bug na ética do projeto, um gesto que não costuma figurar nos manuais de gestão.