A enxaqueca afeta mais de um bilhão de pessoas e muitos casos são difíceis de tratar. Uma velha conhecida da pesquisa, a substância P, volta ao centro das atenções. Descartada nos anos 90 pelos fracassos de fármacos contra um único receptor, novos estudos confirmam seu papel chave na dor e na inflamação da enxaqueca. Isso reabre uma via terapêutica com perspectivas renovadas.
Dos receptores NK1 a MRGPRX2: precisão com anticorpos monoclonais 🔬
Os fármacos dos anos 90 falharam porque só bloqueavam o receptor NK1 da substância P. Agora se sabe que esta atua também sobre outros receptores, como o MRGPRX2 nas células imunes, desencadeando inflamação que amplifica a dor. A tecnologia atual permite desenvolver anticorpos monoclonais dirigidos contra a própria substância P ou seus receptores específicos, oferecendo um bloqueio mais completo e seletivo que poderia evitar os efeitos dos intentos anteriores.
A substância P nos enganou (e nós sem nos darmos conta) 😅
Resulta que há anos estávamos culpando o receptor equivocado. Enquanto a ciência dava a substância P como morta, ela continuava lá, rindo e enviando sinais de dor pela porta dos fundos do MRGPRX2. É como se, após fechar a entrada principal de uma festa, descobrisses que os convidados problemáticos levam trinta anos se infiltrando pela garagem. Um clássico caso de não era o mensageiro, era que tínhamos o endereço errado.