A Bienal Xavier Miserachs chega a Palafrugell com um percurso de onze exposições que coloca o foco na obra de Dorothea Lange. Suas imagens em preto e branco retratam a pobreza e a crise com uma dureza que continua atual. Para o morador, isso significa acesso direto a arte de renome sem tirar o carro da garagem, e a oportunidade de refletir sobre a história social a partir da própria praça da vila.
A tecnologia digital aproxima os arquivos de Lange do público rural 📸
A mostra aproveita sistemas de iluminação LED de baixo consumo e suportes de impressão de alta densidade para reproduzir os negativos originais com uma nitidez que respeita o grão do filme. As sedes contam com códigos QR que linkam para um microsite com fichas técnicas e audioguias. Isso permite que o visitante amplie o contexto de cada foto pelo celular, sem necessidade de painéis extensos. A digitalização dos arquivos da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos facilita uma experiência imersiva e didática.
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O percurso inclui uma parada em um antigo armazém de cortiça, onde as fotos de Lange convivem com o cheiro de umidade e alguma teia de aranha. É verdade, o contraste entre a Grande Depressão americana e o piso de cimento polido dá um toque de realismo que você não espera. O público local já comenta que é a primeira vez que veem arte séria sem ter que pagar pedágio. E é que aqui, até a crise é vista com uma luz melhor.